Maisa Caroline

“Versão Brasileira: Gota Mágica, São Paulo.”

Conheça a história do estúdio de dublagem Gota Mágica. Responsável por trabalhos como Os Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon e Fly, o Pequeno Guerreiro.
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: , .” O coração da gente até acelera ao ler, né? Você se lembra bem dessa vinheta, claro ou com certeza? (=D) Este foi um verdadeiro fenômeno na da .

Posso compará-lo a uma dessas paixões avassaladoras que duram uma estação, geralmente o verão, que costumeiramente se vê em e novelas e até no mundo real mesmo. E digo isto, pois a em apenas 4 anos de existência arrebatou e surpreendeu o mercado da e o coração de muitos fãs, que até hoje se recordam com saudade daqueles tempos, como numa paixão de verão.

Tudo isso fruto de um excelente trabalho realizado lá atrás e que a partir de agora você terá a oportunidade de conhecer, mergulhando nessa magnífica dos : .  

está para Gota Mágica, assim como: e Stoll estão respectivamente para a S.A. e a . O impacto e a repercussão da Gota Mágica foram tamanhos que a produtora conseguiu fazer frente a estas duas já consolidadas e líderes há bastante no país naquele momento.

Igualmente talentoso e visionário como seus antecessores, empreendeu no mercado da e fez , transformando sua empresa em referência de qualidade no ramo da

Como um furacão, a Gota Mágica passou arrasando e deixando vestígios de sua qualidade pelo mercado da dublagem e em pouco de existência (1994-1998), conquistou o e reconhecimento que se estende até os dias de hoje.

Afinal, quem se lembra das dublagens e aberturas icônicas de produtos como: , , Bananas de Pijama, Os , Punky, a Levada da Breca e outros mais. Todos, com a assinatura do brilhante : .

Tema de abertura do Os
Tema da e do

Agora, para se entender o fenômeno que foi esse , é preciso voltar um pouco no e conhecer a trajetória do criador da Gota Mágica e compreender como se deu esse processo na dublagem que culminou em trabalhos inesquecíveis.

Foi na década de 1950 que tudo teve início, quando aos 4 anos de idade Mário Lúcio de Freitas deu o pontapé inicial na sua carreira artística, atuando e cantando em peças de no de sua .

Seu primeiro personagem chamava-se , um palhacinho bem carismático, que fazia dupla com seu irmão, Mauro Renée, nos picadeiros.

E ali já tão novinho despontava para a carreira de sucesso que teria nas Artes. Então, logo o ficou pequeno para tanto talento e na década seguinte acontece sua estreia na telinha da Paulista, cantando, atuando e apresentando. 

Em 1961 na atua na , fenômeno de audiência, chegando a ir para o , tamanha foi a repercussão da . Nesta época tem sua primeira experiência com dublagem, pois devido à má captação do direto durante as filmagens externas, os nacionais (todos) eram costumeiramente em na fase de pós produção.

Mário Lúcio de Freitas aos 4 anos de idade como o

Já em sua adolescência se torna apresentador de programas infanto-juvenis na como: Parque Petistil e a Sessão Zás-Trás. Como multiartista que é, também integrou vários conjuntos em sua juventude tais como: The Beatnicks, Os Iguais, Os Incríveis e The Jet Blacks.

E foi nestes conjuntos, revezando entre as funções de guitarrista, baixista e que conheceu e trabalhou ao lado do também , e Marcelo Gastáldi (a brasileira do ), formando ali uma parceria de sucesso que se estenderia por toda a vida.

A partir deste momento sua carreira como , e deslancha e na década de 1970 cria a primeira revista de músicas cifradas ( & Guitarra) do e um método de aprendizagem único para tocar .

Dirigiu a parte musical de alguns programas de e inúmeros , como: Nelson Ned e Moacyr Franco

Mário Lúcio de Freitas e Marcelo Gastáldi no centro da foto junto a seus companheiros do conjunto musical Os Iguais.

Já nos anos de 1980 na passa a ensinar aos telespectadores a arte de tocar um instrumento no programa: pela ao lado de Marisa Leite de Barros. Nessa mesma época ainda grava um LP intitulado Gota Mágica, um trabalho solo e autoral, onde produz e realiza os arranjos e começa a se dedicar a , criando , , locuções e mais.

Uma de suas campanhas mais famosas, vencedora de uma concorrência internacional, responsável por espalhar seu jingle ao redor do globo terrestre, foi: “ a batata da onda” da Batata . Uma outra campanha de sucesso em que atuou como original (personagem aluno), foi a da , dizendo o famoso slogan: vende mais por que é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Qual será o segredo de ?”.

Campanha da Batata

Sua carreira ia de vento em popa na até que um amigo das antigas, Marcelo Gastáldi, liga para Mário Lúcio de Freitas pedindo-lhe uma ajuda com a dublagem, especificamente a parte musical dos produtos estrangeiros na (atual ) e lá foi ele resolver.

A dublagem naquele período passava por transformações e agora com o advento do videotape as produções vinham neste formato com as músicas e efeitos sonoros já mixados em um único , sem a possibilidade de separá-los, logo ao se perdia-se os sons originais, restavam-se somente as imagens e tudo havia de ser refeito.

Foi então, que Mário Lúcio de Freitas começou a produzir , , aberturas e mais obras para o .

E foram realizados muitos trabalhos marcantes por lá, por exemplo as músicas incidentais (músicas de cena ou de fundo feitas exclusivamente para acompanhar um produto) de diversos programas e novelas. Os Ricos Também Choram (1982) a 1ª mexicana a ganhar uma versão no e que teve uma em criada para sua abertura é um exemplo.

Assim, durante os 15 anos em que prestou serviços ao , produziu mais de 50 músicas para seus produtos audiovisuais e torna-se referência no mercado com uma coleção de sucessos, como as músicas de aberturas feitas para séries e : Punky, A Levada da Breca, , Jem e as Hologramas, Moranguinho, Meu Querido Pônei, e e muitos outros.

Vale lembrar que algumas dessas aberturas são versões originais criadas para os produtos audiovisuais e comumente dividindo-se as funções entre os parceiros de trabalho, ou seja, enquanto um encarregava-se da melodia o outro encarregava-se da letra e assim criavam as canções.

E um desses excelentes parceiros que teve na vida, foi nada mais nada menos que novamente o saudoso e talentoso Marcelo Gastáldi. Ainda sobre suas contribuições na emissora de , Mário Lúcio de Freitas criou diversas para programas como: Hebe, Programa Livre, Aqui Agora, TJ e mais.

No ano de 1987 realizou vários trabalhos para o como a Estrelinha Mágica e o LP da e no ano de 1989 o LP do com várias músicas originais criadas especialmente para a série no Brasil.

Tema de abertura da série Chaves

Chega a década de 1990 e Mário Lúcio de Freitas mais uma vez empreende e cria seu estúdio, o famoso e impactante: Gota Mágica. Contudo, esta empreitada só aconteceu porque ele e seu sócio em outro empreendimento cultural (a produtora ) vinham divergindo bastante e buscando evitar mais transtornos decidiram-se pelo rompimento da sociedade que foi criada lá em 1985 em virtude da crescente demanda de trabalhos na área do audiovisual.

E foi justamente por todo know-how no ramo de musical para dublagem, com criação de temas, , e afins para programas e sua trajetória no campo das artes como: , , , , músico e mais funções, tudo isto lhe rendeu um convite inesperado e que mudaria sua carreira mais uma vez. 

Foi através de um telefonema do empresário da Samtoy (empresa de brinquedos), o espanhol Manolo, oferecendo-lhe um produto novo a ser no Brasil que tudo mudaria. O produto qual era? Ah, claro, a série: Os ! Ainda que Mário Lúcio de Freitas tenha pesquisado os valores no mercado e cobrado um preço bem mais alto do que a Herbert Richers, na época a mais importante , ele foi surpreendido pela adesão da proposta, uma vez que fora muito bem recomendado.

Então, mesmo sem experiência em e dirigir séries inteiras, convocou um de feras na dublagem e realizou um trabalho que para além de primoroso, marcou gerações e rendeu inúmeros frutos.

Os Cavaleiros do Zodíaco, então, você fã do Versão e principalmente leitor ou leitora desta (S2) já sabe da enorme importância que estes tiveram  para a pop/ no Brasil e claro, para a Gota Mágica.

Pois a partir daí, com a sua dublagem, o estúdio obteve muita notoriedade no mercado e além de atuar nesse ramo, passou a realizar comercias de produtos licenciados dos Cavaleiros e até um CD deles foi gravado por lá.

E ainda devido ao grande sucesso da série, foram abertas as portas do estúdio tanto para os fãs como para a imprensa conhecer mais e divulgar o trabalho das por trás dos personagens , bem como os outros profissionais da área do audiovisual.

Retirando assim de vez essa galera do anonimato! No rastro desse sucesso logo vieram mais trabalhos e com dublagens memoráveis, como: , US Mangá, SuperCampeões, Guerreiras Mágicas de Rayearth, e tantos outros. Inclusive, alguns desses produtos ainda tiveram CDs gravados e com muita vendagem no mercado.

A título de curiosidade, grande parte das músicas temas, desde lá de trás, tiveram a interpretação na potente da .

Tema de abertura de Os

Entre 1994 e 1998 foram muitos os trabalhos realizados na Gota Mágica, dublagens para TV, , produção musical, arranjos e até na área editorial, especificamente revistas, eles marcaram presença.

Porém, como foi criada para o uso compartilhado entre três empresas e com o fechamento de uma delas logo no início de suas atividades as outras duas suportaram a sobrecarga e aliado ao fato de ser uma empresa ainda jovem, detinha de capital suficiente para se manter ativa e veio a fechar.

Mas, é como dizem por aí:“Tudo o que é bom, dura o tempo necessário para ser eterno.” E esse tempo durou 4 intensos anos de muito trabalho para que a Gota Mágica com a condução do Mário Lúcio de Freitas provocasse um reboliço no meio da dublagem e fosse responsável por perpetuar momentos inesquecíveis através das produções que realizou em seu estúdio.

Sendo assim, só posso dizer: Obrigada por tanto! Aplausos, muitos aplausos ao e a todos que passaram pelo estúdio dividindo a sua arte conosco.

Atualmente Mário Lúcio de Freitas, a mente por trás de tantos trabalhos maravilhosos que você pode conhecer e recordar neste texto, continua exercendo seu talento no campo das artes ao lado de sua esposa a também talentosa e , Hellen Palácio.

Em parceria, eles produzem livros e audiolivros inspirados na oral popular brasileira, as cantigas de roda. Um trabalho lindo de resgate cultural, incentivo à leitura, inclusão e sobretudo uma maneira da criança experienciar as várias possibilidades de leitura que existem.

Os audiolivros que vem junto dos livros físicos contam com uma produção musical  e de voz excelentes que interpretam as cantigas e as historinhas, tudo com aquele padrão de qualidade: Gota Mágica. Fruto das experiências adquiridas em suas carreiras. 

Hellen e Mário na divulgação de seus livros/audiolivros

E aqui cheia de boas recordações desse estúdio incrível e ainda impactada com tanta coisa que descobri e compartilhei com você, me despeço ansiosa por nosso próximo encontro aqui na ! (=D) Mas, não sem antes querer saber as suas impressões sobre o texto de hoje, me conte aqui abaixo, tá? Compartilhe com seus amigos e até semana que vem com mais curiosidades sobre a dublagem na história!


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💛😊 Educadora, Museóloga, Especialista em Gestão Cultural e futura Pedagoga. Amante das artes, defensora do patrimônio, propagadora de memórias e uma entusiasta da dublagem. 💛😊

💛😊 Educadora, Museóloga, Especialista em Gestão Cultural e futura Pedagoga. Amante das artes, defensora do patrimônio, propagadora de memórias e uma entusiasta da dublagem. 💛😊

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Amanda
Amanda
3 anos atrás

O que dizer desse estúdio que durou pouco mas considero pacas? Hahah
Assim como Álamo e Herbert Richers deixou muita saudade. Mesmo durando apenas quatro anos, foi responsável por dublagens reconhecidas por sua qualidade até hoje!
Suas colunas são uma verdadeira viagem no tempo, principalmente para a
minha infância. Continue assim!

Marcela Ilustrapop
Marcela Ilustrapop
3 anos atrás

Nossa aprendo demais lendo seus textos, amei saber sobre esse estúdio que nos deu tanta coisa boa em tão pouco tempo!!! E acho incrível essas pessoas que empreendem e manifestam sua Arte desde cedo como fez o Mário Lúcio de Freitas !!! Nossa que prodígio né ?! E um cara talentoso que fez e faz tanta coisa até hoje !! Só posso aplaudir !!! Obrigada por pesquisar e compartilhar conosco histórias tão incríveis como essa! Nessas histórias você nos traz dublagem, memória, cultura, vida e arte !!! Como não amar ?!

Lê
3 anos atrás

Oi amiga querida!

“Tudo o que é bom, dura o tempo necessário para ser eterno.”, essa eu não conhecia, mas sim! Sem dúvidas é a melhor versão deste “dito popular”, ainda mais se pararmos para pensar na brilhante carreira do Gota Mágica e seu fundador. Sério, muitos aplausos a ele e toda a equipe que esteve ao seu lado!

Amei conhecer mais de sua biografia, e também conhecer um pouco da história deste grandioso estúdio, que apesar de sua breve existência, marcou minha infância, uma vez que ao menos uns 75 – 80% de suas obras eu acompanhei e fui fã!

Eu adorei a novidade dos áudios no texto, foram fundamentais para despertar a nostalgia rs E adorei saber que Sr. Mário é o responsável por um dos slogans mais legais entre os produtos que amo, afinal “Rufles a batata da onda” é sensacional, tão que até fiquei com vontade de comer uma agora haha

Por fim, adorei o novo visual da página e a possibilidade de edição do texto aqui *-*

Beijos e lembranças cordiais a toda a equipe!

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