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Hamlet claramente reflexivo na imagem (meme) acima é o retrato de uma discussão que parece nunca ter fim quando falamos sobre para o audiovisual.  Há quem prefira e há quem prefira . (Sério, existe quem prefira ler um filme! Bom, gosto é gosto =D!) E há quem defenda os dois. E por que não? Esse duelo entre um e outro é tão antigo quanto o mudo e a TV em preto e branco. As duas formas são ferramentas importantes e devem coexistir, sendo o público o juiz dessa partida. Cabe a ele decidir como consumir um produto audiovisual estrangeiro. Apenas deve-se ofertar ambas as possibilidades.

Mas uma coisa é preciso entender e desmistificar, os preconceitos atribuídos às duas formas de , que ao longo dos anos criou uma rixa entre os defensores da contra os defensores da e vice-versa. Você sabe quando, possivelmente, começou essa briga? O porquê alguns ainda insistem em atrelar o gosto pela a um nível intelectual baixo? Não? Bem, provavelmente a origem de todos os preconceitos seja a desinformação e a detenção dela por partes de alguns que desejam controlar e até impedir que mais pessoas tenham acesso à cultura e a educação. Pois, sabe-se que ao menos no Brasil, para se consumir arte é um pouco caro e uma das mais populares formas de entretenimento cultural seja assistir TV.

Voltando um pouco na história, temos o surgimento do , ainda mudo e em preto branco, com o passar dos anos ganhou som, diálogos e cores. A indústria, mais famosa, a hollywoodiana, queria mais e expandir seu mercado, investindo cada vez mais nisso, com o advento da sonorização, acreditaram eles que refilmar os seus filmes com os atores dos países para o qual queriam vendê-los, era uma ideia brilhante. Bom, não foi né? Era muito custoso e trabalhoso, logo perceberam então, que dublar seria uma solução interessante e acessível.

E foi assim que muitos filmes começaram a ser dublados ao redor do mundo. E as legendas? Sim, as legendas também existiam, não para o público dos EUA, que sempre as repudiou. Na verdade, eles nunca curtiram ler legendas, sentiam-se desconfortáveis. Daí também a indústria do por lá realizar muitas versões de filmes estrangeiros. Uma por questões culturais citadas anteriormente e outra por questões nacionalistas. Eles pouco se abrem para o intercâmbio cultural.

Enquanto nos EUA acontecia este tipo de coisa, em outros países como Itália, França, Alemanha, México, tudo ou quase tudo se é desde sempre. Dando acesso e preservando um dos elementos principais de uma cultura, a língua. Veja que tudo é uma questão de hábito, costume e política. Estes países optaram por esse caminho e dublam muito bem desde então. Já em Portugal eles assistem as produções dubladas com o português do Brasil ou legendadas, novamente uma questão de costume. Eles foram educados assim.

Portanto a questão de ser melhor ou pior não existe e de forma alguma passa pela capacidade intelectual do público. Você não é menos ou mais inteligente do que o outro, porque escolheu assistir a um filme ou . Somente optou por uma que lhe agrada. Embora o filme seja uma forma de expressão artística denominada audiovisual e que para ser apreciada em sua totalidade exige do espectador atenção máxima ao diálogo e as imagens, há quem consiga acompanhar um filme de forma satisfatória lendo as legendas.

Vale lembrar que se a pessoa domina o idioma original, a legenda para ela não fará muita diferença. Em um estudo realizado pelo professor da FGV, Marcelo Peruzzo (PhD em Neurociência), é apontado que se perde cerca de 25% do filme quando se opta por assisti-lo com legendas, pois o espectador acaba se concentrando mais na leitura ao invés de experienciar o todo, perdendo detalhes importantes das cenas. Diante disso, assistir a filmes dublados se torna um ideal e para a maioria é uma escolha assertiva de vivenciar a experiência por completo de um produto audiovisual.

Fora tudo isto já citado, no Brasil, infelizmente não somos exímios leitores. Lemos muito pouco, cerca de dois livros por ano e 30% nunca compraram um livro, segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil de 2016. Há muitos analfabetos, idosos, deficientes visuais, além claro, das crianças em idade pré-escolar que precisam dos produtos dublados para compreenderem no todo o que assistem. Assim como os deficientes auditivos precisam de legendas nos filmes para acompanharem as produções audiovisuais. Deste modo, radicalismo nessa área não combina e é preciso oferecer todo tipo de acesso, facilitando e democratizando a informação.

No Brasil desde a década de 1960 é lei que os produtos que vão para a TV sejam dublados e isso contribuiu muito para que a se firmasse no país. Pois, além claro da proteção a língua portuguesa (patrimônio imaterial), ela facilitou o acesso de muitos brasileiros que não conseguiam compreender alguns programas estrangeiros, que no início da TV eram legendados e por má qualidade da imagem (os famosos chuviscos na tela) ou por defeito das fabricantes que cortavam as legendas, tornando as ilegíveis para o telespectador. Já nos cinemas o fenômeno era o inverso, somente as animações eram dubladas e alguns poucos filmes, porque a qualidade do som das salas não era muito boa e como costumavam-se legendar, o público não se importava muito.

Claro que ao passar dos anos a tecnologia melhorou muito, a evoluiu, a qualidade das salas de cinema melhorou e muitos filmes já chegam nos cinemas nas duas versões. Uma conquista do público que gosta e admira a , mas entende a importância da . E num futuro próximo mais salas de cinema e a TV buscarão trazer sessões com audiodescrição, legendas ocultas e LIBRAS, visando a e democratização da arte audiovisual.

Para encerrar não custa lembrar que tanto a dublagem como a são formas de e que quando realizadas são feitas adaptações ao idioma local e neste processo, naturalmente, muita coisa será perdida e selecionada visando a compreensão da obra pelo espectador que não domina o idioma original e somente quem o domina não “perderá” nada do que assiste, quando opta pelo áudio original.

Ufa, muita informação? (= D) Mas a reflexão é necessária! E aí o que você achou, me conta? Vamos conversar! Ah e compartilhe com os seus, talvez alguém mais se interesse por este conteúdo. Bem, na próxima quinta-feira eu volto com mais uma curiosidade sobre a história da dublagem, até lá!


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💛😊 Educadora, Museóloga, Especialista em Gestão Cultural e futura Pedagoga. Amante das artes, defensora do patrimônio, propagadora de memórias e uma entusiasta da dublagem. 💛😊

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💛😊 Educadora, Museóloga, Especialista em Gestão Cultural e futura Pedagoga. Amante das artes, defensora do patrimônio, propagadora de memórias e uma entusiasta da dublagem. 💛😊

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