Nas ondas da dublagem: de RADIOATORES a DUBLADORES!

Olá, fã do ! Tudo bem? Antes de iniciarmos eu gostaria de me apresentar a você, que me fará companhia todas quintas-feiras aqui no site do . Bom, me chamo Maisa Caroline e sou especialista em gestão cultural, museóloga e educadora. Amante das artes, defensora do patrimônio, propagadora de memórias e uma entusiasta da . Amo contar histórias e compartilhar tudo que aprendo e por isso o Ygor me convidou para integrar a equipe do como colunista. Então, toda quinta trarei um pouco da história da e algumas curiosidades pra você. Gostou da novidade? Bora começar?

Sabe, muito antes do público suspirar pelos galãs ou se encantar pelas mocinhas no cinema e na TV, com suas vozes (Dubladas, claro!) poderosas e doces. Bem antes de vibrarem com as histórias de Harry Potter e dos heróis e heroínas da Marvel e DC, recheadas de ação e aventura, com um visual extremamente tecnológico, colorido que hipnotiza a galera e a deixa presa em frente a tela. Antes desse tempo em que a imagem não nos deixa desgrudar os olhos um segundo da narrativa assistida.

Mas bem antes mesmo, no tempo onde o rádio era soberano, eram as radionovelas que faziam sucesso com o público. Fenômenos de audiência à época, todo mundo comentava. Ali na sala, ao pé do rádio, toda a família se reunia para assistir, ou melhor, ouvir e acompanhar as histórias. E a imaginação era um recurso muito importante! Imaginam o porquê, né?

Acompanhar histórias pelo rádio era um entretenimento muito prazeroso e eu diria que causava sensações bem divertidas, até maiores do que quando assistimos a algo no cinema ou na TV. Porque o público somente contava com a audição e por isso abusava da imaginação, criando imagens ideais para seus personagens. É, realmente o rádio tem sua magia! Magia essa que foi transferida para a , não é mesmo? Afinal, sempre tem aquela voz marcante, que nos emociona. Que de longe ao ouvirmos, pela entonação, já identificamos o personagem.

No canto à direita radioatriz e dubladora contracena com seus colegas na rádio.

E seja por um veículo ou outro, quando a narrativa nos pega, embarcamos naquela história até o fim. O mundo para. Passamos a viver as emoções das personagens como se fossem nossas, não é? Ri, chora, grita. Fica com raiva, se apaixona, sofre, canta e pula. Pois, quem não sonhou em dar uma voltinha no DeLorean e viajar no tempo? (Eu mesma agora! Voltar para quando podíamos nos abraçar! Own!) Ou ainda, ser convidada para participar de um jantar memorável em um castelo com sua louça (De prata, claro! Hahaha), como a Bela foi? Ah, e o pequeno Simba desolado naquele desfiladeiro (Pera, pausa pro choro!), sozinho, triste com a morte de seu pai?

E mais uma vez a voz tem uma forte influência “niiiiisso tudo”! Porque eu sei, que como eu, ao ler esse trechinho você provavelmente experimentou várias sensações e certamente lembrou de algumas vozes, não foi? Bem, mas o que isso tudo tem a ver com as radionovelas e a dublagem? Tudo! E você, fã do , já percebeu! Foram os radioatores, os grandes pioneiros da dublagem brasileira, que com suas expertises e muito talento como artistas de voz, migraram para esta arte tornando-se . As vozes que seduziam o público nas radionovelas e outros programas, agora passariam a seduzir os telespectadores que assistiam a TV.

Radioatores no estúdio de radioteatro da Rádio Nacional.

Imagina como era para se contar histórias através do rádio e somente ter o recurso da voz para prender a atenção do público? Como dito acima o público usava bastante a imaginação, daí a magia. E para prender a sua atenção, além de serem excelentes atores, deveriam possuir uma bela voz. Porque a gente sabe que a voz encanta por si só e é capaz de produzir inúmeras sensações! É só você se lembrar da voz da sua mãe dizendo: “Na volta a gente compra!” (Te deu arrepio que eu sei! hahaha).

A imagem até este momento pouco importava. E a voz sim era um elemento significativo na contação de histórias. Portanto, os atores só tinham que saber interpretar e bem! Inflexionando corretamente suas vozes junto ao microfone os radioatores e radioatrizes, já possuíam o principal recurso para dar vida a seus personagens. Contudo, contavam com o auxílio dos contrarregras e dos sonoplastas para simularem e reproduzirem os sons e ruídos do cotidiano em estúdio, tais como: o ranger da porta ao se abrir e fechar, o barulho do mar, da chuva, do vento ou do trovão; o marchar dos soldados e muitos outros. Passando assim a ideia de realismo para quem os ouvia.

No futuro os mesmos atores usariam a voz para encantar novamente o público, agora como . E muitos destes você conhece, ama, admira! , , , , , , , , , , , , , , , , , , , e muitos mais iniciaram suas carreiras no rádio. Alguns como radioatores outros como locutores participaram de radionovelas, séries e programas de humor. A maioria deles com passagem de sucesso por duas das principais emissoras de rádio no Brasil: Rádio Nacional e Rádio Mayrink Veiga.

Os radiatores e também Nely Amaral (ao centro) e .

 E quantas alegrias eles não nos dão até hoje? Quando a gente vê uma dublagem clássica, ainda mais daquele estúdio famoso, sabe qual é? Que crescemos ouvindo na TV? Este mesmo aí que você pensou: Herbert Richers. Percebemos a qualidade inigualável do trabalho pioneiro destes nossos artistas, que aprenderam ali no dia a dia da profissão a sincronizar suas vozes com as imagens, sem perder a característica interpretativa adquirida no rádio. Criando e desenvolvendo a dublagem brasileira.

Obrigada mestres! Por há tanto tempo nos presentearem com sua arte, dedicação e empenho a dublagem, tornando nossas vidas muito mais alegre! A arte brasileira agradece e os fãs de dublagem ainda mais! De radioatores a dubladores o legado de vocês está aí e segue fascinando gerações. Os programas radiofônicos, sem dúvida, foram uma escola de interpretação para o que hoje temos como os melhores dubladores do mundo. Vocês são verdadeiros patrimônios culturais e merecem todos os dias os nossos aplausos!

e (radioatores e dubladores) contracenando em 1997 para uma que contava a história de João Paulo II.

Claro, obrigada a você que leu tudo isto até aqui! Espero muito que tenha gostado! Deu para conhecer e aprender um pouquinho sobre a influência do radioteatro na dublagem né? Bom, me conte o que achou deixando um comentário aqui embaixo. Vou adorar ler! E compartilhe em suas redes este conteúdo. Até a próxima semana!

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Especialista em Gestão Cultural, Museóloga e Educadora. Amante das artes, defensora do patrimônio, propagadora de memórias e uma entusiasta da dublagem. 💛😊

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Deyse
Deyse
5 meses atrás

Mesmo não nascendo na época da radionovela me veio uma nostalgia…. muito bom o conteúdo!!!!

Luana Flor
Luana Flor
Resposta a  Deyse
5 meses atrás

Sinto o mesmo!!!

Marcela Cristina @marcelailustrapop
Marcela Cristina @marcelailustrapop
5 meses atrás

👏👏👏👏 amei saber mais sobre as rádio novelas ❤️❤️❤️ e que saudade de ouvir “Herbert Richers” antes das dublagens !!!❤️❤️❤️ Maisa Caroline já estou ansiosa pela próxima história 👏👏👏

Amanda
Amanda
5 meses atrás

Amei! Aprendi muito! Da para ver o quanto você ama a dublagem e sua história! Parabéns!

Lê
5 meses atrás

Querida Maísa, obrigada por sua maravilhosa contribuição, me emocionei, e em alguns momentos “ouvi” as clássicas vozes ao ler, é incrível o poder mágico dessa arte 🙂
Amei em especial esse seu texto de estréia por justamente ele conversar com meu objeto de estudo, as telenovelas, ao ler, relembrei as maravilhosas emoções que senti ao aprender mais sobre algo que eu já amava 😀
Lhe desejo muito sucesso e já estou ansiosa pela semana que vem! Beijão!

Ana clara Laplace
Ana clara Laplace
5 meses atrás

Que incrível !! É sempre bom aprender um pouco mais e saber onde tudo começou !! Parabéns 😍👏🏻

Eduardo
Eduardo
5 meses atrás

Uhuuuul já conversamos muito sobre isso no pontal né? Irado continua voando previra tudo de melhor