SUZY KIRBY | Conheça a história da mulher à frente de seu tempo

Suzy Kirby: ; de , e TV; ; cantora; redatora ; ; ; ; ; técnica em e TV; ; ; e dona de mais de 100 vozes! (Uau!)

E você não leu errado não, ela era mesmo capaz de interpretar mais de 100 tipos diferentes, realmente um fenômeno como de nunca visto até então. Natural do Rio de Janeiro, nascida em 18 de agosto de 1917, chamava-se na realidade Eunice Guigon de Araújo e como deu para perceber, ela só não foi e fez o que não quis.

Pioneira na e multitalentosa, nossa personagem de hoje é um exemplo de determinação somados a muito estudo e trabalho, um orgulho para todas as mulheres.

Suzy Kirby investigando um durante seu curso de e TV no exterior.

Agraciada com um enorme talento para as artes e comunicação, desenvolveu várias de suas habilidades, exercendo diversas funções ao longo de sua carreira profissional no , no , na TV, nos periódicos, na publicidade e na .

E todos os papéis que se propôs desempenhar na vida foram com muito destaque, seja por seu talento incontestável, seja por seu pioneirismo e dedicação ao que escolhia fazer.

Sua carreira começou no rádio (como a maioria dos dubladores aqui no Brasil e se você quiser saber mais sobre o início da é só ler a minha coluna: NAS ONDAS DA DUBLAGEM: de Radioatores a Dubladores. ) em uma audição para o programa “Papel Carbono” no ano de 1945 na Rádio Clube do Brasil.

Na ocasião, Suzy Kirby apresentou várias imitações impressionantes, com destaque para a dos cantores de grande sucesso à época: Bing Crosby (estadunidense) e Orlando Silva. Ao final consagrou-se campeã e ingressa na rádio como contratada.

Um tempo depois transferiu-se para a integrando seu elenco de e programas de humor. Por lá fez muito sucesso por conta de sua facilidade em interpretar somente com a todo e qualquer tipo de personagem, seja feminino ou masculino, sons de animais, instrumentos e vozes caricatas, além das imitações perfeitas.

Ela muitas vezes cobriu as férias de seus colegas, tamanha a semelhança que conseguia alcançar com sua interpretação vocal e o público nem percebia. Daí um título que lhe cai bem: A dona da , ou melhor, das vozes, já que era capaz de fazer mais de 100! (Algumas fontes pesquisadas catalogaram 103 vozes, já em outras foram 135, de toda forma é uma marca impressionante!)

Em 1946, logo após sua estreia na comunicação, decidiu realizar seu grande sonho: de viajar aos EUA. Então , ela pegou algum dinheiro que havia guardado e partiu rumo a terra do Tio Sam. Chegando lá atua como correspondente internacional para alguns periódicos no Brasil, tendo realizado excelentes reportagens com diversas e importantes estrelas de , Carmen Miranda foi uma delas.

No entanto, talvez, a mais curiosa de suas entrevistas, tenha sido com a estrela canina Lassie da . Suzy Kirby, simplesmente foi a primeira repórter internacional a conseguir este feito. (=D) 

Já em 1949, consegue uma licença na e decide retornar aos EUA para estudar, formando-se em técnica de rádio e . Suzy Kirby então, passa a ser a primeira mulher sul-americana a conquistar um diploma na School of Radio Techniques and Television de Nova Iorque.

Suzy Kirby praticando o que aprendeu no curso de técnica em rádio e TV nos Estados Unidos.

E seu desempenho foi tão bom que pode dirigir alguns programas de curta duração e até foi contemplada com uma bela carta de recomendação do diretor da escola. Ainda dublou diversos produtos audiovisuais para o Brasil, inclusive as animações de .

Diante disso, Suzy Kirby desembarca no Brasil como referência na área de rádio e TV e para as mulheres, trazendo importantes aprendizados em sua bagagem, adquiridos durante sua estadia nos EUA e que serviriam para lhe destacar no âmbito profissional. Em 1950, ano em que a chega ao Brasil, retoma suas atividades na e assume o cargo de de publicidade da . Na década de 50 ainda divide-se entre as rádios Nacional e Mayrink Veiga, a Embaixada Americana, o jornalismo, a tradução de livros, a escrita autoral, o cinema , a e mais.

Suzy Kirby trabalhando em seu escritório de publicidade.

No rádio, um de seus incríveis companheiros de cena foi o radioator e saudoso dublador ; no atuou ao lado de Procópio Ferreira e foi dirigida por  Bibi Ferreira; no cinema atuou com Mário Lago, Zé Trindade e Ivon Curi nos respectivos filmes: Pecadora Imaculada (1952), Trabalhou Bem, Genival (1955) e Garotas e Samba (1957); na fez algumas novelas como: O Cafona (1971),  A Patota (1972-1973) e Os Ossos do Barão (1973-1974) e na dublagem, que é a nossa grande paixão,

Suzy Kirby emprestou todo seu talento dando voz a alguns personagens muito queridos por nós, interpretando e cantando: Drizela em Cinderela (1950); Flor em Alice no País das Maravilhas (1951) e Sereias em Peter Pan (1953) e por fim ainda gravou discos com histórias infantis de adaptadas e produzidas por João de Barro () que posteriormente originou a Coleção .

Suzy Kirky entrevistando  Carlos Galhardo para o Jornal das Moças

Bem, talvez, possa ter faltado mencionar alguma outra função que essa multifacetada tenha exercido. E claro, os trabalhos aqui citados são só alguns dos inúmeros que se tem conhecimento dos quais ela tenha participado, há muitos mais, certamente.

Suzy Kirby à direita em sua casa e à esquerda atuando junto ao microfone na Rádio.

Estes foram só para exemplificar o tamanho da sua capacidade enquanto artista. Assim, você que está lendo este texto agora consegue ter um panorama da dimensão profissional de uma mulher, artista, professora e empreendedora amplamente talentosa e , pioneira em muitas áreas.

Suzy Kirby, que se viva estivesse, hoje estaria criando e inovando em muitas frentes, além de nos presentear com seu imenso talento vocal em inúmeros personagens que poderia criar.

É um verdadeiro patrimônio cultural do Brasil, uma jóia rara e que mereceu ter sua história revisitada, contada e homenageada aqui na coluna, para que não seja esquecido tudo que ela realizou e principalmente para que através de sua trajetória e de seu legado artístico, inspire as pessoas a descobrirem e experimentarem todas as suas habilidades.

 Agora eu pergunto: e aí, gostou da coluna de hoje? Ficou surpreso(a) ao descobrir que ela conseguia fazer mais de 100 tipos de vozes diferentes?

Conte-me tudo o que achou aqui nos comentários, compartilhe com seus amigos e até semana que vem com mais curiosidades sobre a dublagem na história!

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Especialista em Gestão Cultural, Museóloga e Educadora. Amante das artes, defensora do patrimônio, propagadora de memórias e uma entusiasta da dublagem. 💛😊

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Lê
1 mês atrás

Amiga,

Que mulher a Suzy Kirby foi, extremamente talentosa e artista multifacetada, literalmente uma vangardista. Estou imensamente impressionada com seu currículo tão diversificado, e sobre tudo com sua capacidade de interpretar mais de 100 vozes diferentes… Sem dúvidas um verdadeiro exemplo do Patrimônio Cultural de nosso país!

Muito obrigada por apresentá-la ao grande publico, e compartilhar essa história inspiradora!

Grande beijo e até a próxima semana!

Amanda
Amanda
1 mês atrás

Uau! Suzy Kirby era mesmo impressionante! Além de dublar mais de 100 vozes, ainda foi a primeira mulher sul-americana a conquistar um diploma na School of Radio Techniques and Television!! Simplesmente incrível! Amei conhecer sua história e gostaria de ler sobre mais dubladoras! Girl Power! Hahah!

Marcela Ilustrapop
Marcela Ilustrapop
1 mês atrás

Nossa é tão incrível descobrir histórias de sucesso de mulheres que nadaram contra maré e conseguiram mostrar todo seu talento apesar do mundo nos boicotar há tempos !!! Que maravilhosa foi essa mulher e merece todo nosso aplauso, que bom que o talento dela extrapolou a ponto de ter vencido as barreiras do medo e do preconceito que muitas vezes nos travam! Obrigada por trazer mais essa história inspiradora para nós!! Girl power!!!