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“Dublador não imita. Dublador faz.”, BEZERRA, Wendel.

A dublagem começou (e continua em tese) no anonimato, oculta por detrás de personagens e atores que não eram brasileiros, mas que de alguma forma pareciam falar português. Mas, os tempos mudaram e, hoje, grande parte da população tem a consciência de que essas vozes brasileiras pertencem a profissionais especializados na técnica de emprestar sua voz e interpretação para produções estrangeiras.

A popularização, por exemplo, dos festivais de animes fez com que a dublagem e os dubladores ganhassem mais notoriedade. Wendel Bezerra, que tem uma extensa gama de trabalhos nesse universo, se espantou quando, de uma hora para outra, os fãs da sua voz começaram a reconhecê-lo, pedindo autógrafos, fotos e afins.

No começo, pra mim era muito estranho. Eu ficava meio sem saber como reagir, eu ficava meio constrangido. Hoje é super natural.”, contou Wendel ao falar desse fenômeno de descortinar da arte da dublagem, finalmente depois da expansão da internet e do advento das redes sociais.

Wendel começou novo na dublagem e acompanhou a transição de dublar em conjunto na bancada para dublar de forma individual para aproveitar melhor a interpretação sem distrações e a melhoria de qualidade no som.

Hoje eu prefiro muito mais dublar sozinho porque o poder de concentração é maior, a sua imersão na história é maior.”, disse Wendel apesar de admitir que sente falta da “bagunça” que era dublar junto na bancada e contar as brincadeiras que aprontava dentro do estúdio.

A boa dublagem vai muito além do sincronismo. Existem estúdios que investem de forma consistente em bons dubladores, tecnologias mais modernas e infraestrutura. Se nós, os consumidores, não cobrarmos qualidade das produções, estaremos desvalorizando esse esforço em prol de uma dublagem de qualidade.

Se as pessoas não ligam para isso, você prejudica o cara que investiu em equipamento melhor, em diretores melhores, em tradução melhor”, pontua Wendel acerca do assunto.

Wendel Bezerra é reconhecido por muitos de seus trabalhos como, por exemplo, Bob Esponja, Edward Cullen e Buddy Valastro. Mas nenhum deles é tão ovacionado pelo público como o Goku. 

Dublar o Goku, depois que você já sabe o que ele representa, é mais difícil, traz mais responsabilidade.” contou Wendel durante a entrevista ao passo que descortinava toda a história da dublagem desse personagem sensação.

Quando perguntado sobre qual o maior empecilho da dublagem, Wendel respondeu sem titubear: “O número de pessoas que não entendem nada de dublagem, mas com poder de decisão sobre a dublagem”.

Ele ainda afirma, e nós concordamos, que não foi a vida que o levou para a dublagem, ele a escolheu. Tamanho esforço e dedicação por essa arte precisam ser reverenciados. A busca por um trabalho de excelência nunca acaba. Venha comigo conferir esse bate-papo inspirador.


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