DUBLAGEM É ACESSIBILIDADE E MAIS…

texto-voz

“A é uma arma poderosa para democratizar a e a informação. Portanto serve para educar, divertir e melhorar a vida do nosso povo. Sinto orgulho de dar minha contribuição nesse sentido há tanto tempo.” O autor desta frase foi nada mais nada menos que: . E sim a é tudo isso, ela é uma forma de educar, é arte, é , é patrimônio e é .

Você já parou para pensar na importância da para brasileira e o quão o produto audiovisual se torna quando é ? Será que por ser ele consegue abranger um maior número de pessoas e dentre elas as pessoas com deficiência? A resposta é sim! Vamos conversar mais sobre isso?

 Primeiramente devemos conceituar e compreender melhor o que de fato significa . Segundo o famoso, ilustre e nosso amado amigo dicionário Aurélio (=D), é: “Qualidade do que é , do que tem acesso. Propriedade do material confeccionado para que qualquer pessoa tenha acesso, consiga ver, usar, compreender; diz-se, principalmente, do material que se destina à inclusão social de pessoas com alguma deficiência.” Você percebeu? diz respeito principalmente a tornar algo  ao maior número de pessoas possíveis, de forma universal, pensando soluções que irão melhorar a qualidade de vida de todos em uma sociedade, inclusive às pessoas com deficiência.

A partir de suas demandas é possível criar soluções que darão acesso adequado e ainda beneficiarão a todos que se utilizarão dos produtos, novas tecnologias e espaços criados para eles que estão inclusos nos processos desde o início.

 Para ajudar um pouco mais, trago o conceito de : “O projeto universal é o processo de criar os produtos que são acessíveis para todas as pessoas, independente de suas características pessoais, idade ou habilidades. Os produtos universais acomodam uma escala larga de preferências e de habilidades individuais ou sensoriais dos usuários. A meta é que qualquer ambiente ou produto poderá ser alcançado, manipulado e usado, independentemente do tamanho do corpo do indivíduo, sua postura ou sua mobilidade. O não é uma tecnologia direcionada apenas aos que dele necessitam; é desenhado para todas as pessoas. A ideia do é, justamente, evitar a necessidade de ambientes e produtos especiais para pessoas com deficiências, assegurando que todos possam utilizar com segurança e autonomia os diversos espaços construídos e objetos.” (Mara Gabrilli)

 Ou seja, toda essa explanação feita anteriormente foi para concluirmos que a dublagem dentre todas as opções de acesso ao produto audiovisual estrangeiro, é a que de fato abrange mais pessoas, é a que melhor se adequa, independente das características e necessidades que o público possua. A dublagem então, de imediato dá acesso a todos os falantes e ouvintes da língua nativa para o qual a versão do produto audiovisual está sendo .

No nosso caso, a , é a adaptação ao nosso idioma e o meio de compreensão da linguagem audiovisual estrangeira. Para além, ela é a ferramenta que  facilita às pessoas com deficiência visual, intelectual e sensorial, idosos com baixa visão, analfabetos, crianças em processo de alfabetização a compreenderem todas as produções audiovisuais estrangeiras de diversas línguas que consumimos no Brasil.

 A dublagem ainda ajuda na formação de vocabulário das crianças. Basta você pensar quando era uma. A quantos filmes, desenhos e séries  você assistiu na infância e aprendeu uma palavra nova, uma expressão ou mais sobre alguma outra cultura? Várias, não é? Eu por exemplo, sou muito musical e as animações de me marcaram e me ensinaram bastante sobre o mundo através da .

Ela contribui na preservação do nosso idioma, que é um dos primeiros elementos da nossa identidade. É arte, a arte de interpretar só com a voz e sincronizá-la na imagem. Faz parte da nossa cultura, pois tornou-se um hábito assisti-la pela TV e transformou-se em patrimônio. Por que não? As vozes e o fazer (o ato de dublar) são sim patrimônios culturais imateriais brasileiros.

 Portanto, por tudo isso a dublagem é acessibilidade, é democrática, é importante e não, ela não vai acabar! Já conversamos em um outro texto aqui na minha coluna sobre a importância da dublagem e da legendagem e esclareci a origem dos preconceitos com ambas e da rixa que os fãs criaram. (Se você chegou por aqui agora e não sabe do que eu estou falando, depois dá uma lida no texto Dublado ou Legendado: Eis a questão? para compreender melhor essa polêmica toda.) Não é porque defendemos a dublagem que vamos eliminar a legendagem, ao contrário, vamos agregar as possibilidades e tornar o produto audiovisual cada vez mais acessível para todos.

Sessão Azul e CineMaterna são exemplos de iniciativas acessíveis que contam com produções na . Proporcionado conforto e possibilitando que o público curta o filme de maneira plena.

 Eu quero finalizar o texto de hoje de uma maneira diferente, com um relato sobre a minha infância e que vai te dar a dimensão do quanto a dublagem é uma arte maravilhosa e promove o acesso pleno e momentos únicos e tão especiais.

Bom era uma vez…brincadeira! hahahaha Era 1993, o filme: . E lá fomos nós: eu, irmã, mãe e primos ao cinema assisti-lo. Chegando lá… a surpresa: o filme era legendado. (Momentos de tensão no caldeirão! rs) Até aí nada, se eu não fosse uma criança recém alfabetizada e minha irmã ainda estivesse na pré-escola. O que fazer? Minha mãe simplesmente pediu pra gente ficar quieta e prestar a atenção que entenderíamos o filme! Okay! Mas…você acha, real-oficial, que a gente conseguiu? =D Muito mais ou menos, né? Lembro da minha prima que era um pouco mais velha (dois anos a mais do que eu), ler pra gente as legendas e mesmo assim deu ruim. Ela não curtiu muito fazer isso não. Aí, um belo dia o filme foi para a TV e o maravilhoso do Márcio Simões dublou quem, quem? Robin Williams, a Babá! Foi uma outra experiência!  E muito melhor, pois eu amei o filme e super entendi, além de ter decorado as falas a dublagem ainda facilitou que a minha avó materna pudesse compreender o filme, uma vez que ela era analfabeta. Percebe o impacto disso? Foi realmente um trauma, tanto que me lembro até hoje, mas graças a dublagem ela se transformou em algo inesquecível depois e eu adoro esse filme e a atuação do Márcio Simões é impecável. Ele é mil milhões tão incrível que muitas vezes achamos que sua voz combina mais do que  a própria voz do ator que ele dubla! Parece até que ele é mais o Robin Williams que o próprio Robin Williams. (=D S2)

 Agora, me conte você as suas experiências com a dublagem. O que você aprendeu com ela? Você conhece alguém que a dublagem se tornou importantíssima por proporcionar acesso ao audiovisual? Conta aí abaixo e se gostou compartilha com seus amigos! Até a próxima semana!

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Especialista em Gestão Cultural, Museóloga e Educadora. Amante das artes, defensora do patrimônio, propagadora de memórias e uma entusiasta da dublagem. 💛😊

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Marcela Ilustrapop
Marcela Ilustrapop
6 meses atrás

Geeente como eu nunca tinha pensado nisso ??? Mas realmente faz todo sentido que a dublagem para a língua nativa do país a ser exibido o filme seja uma forma genuína de acessibilidade. Adooorei o texto, você me abriu os olhos para uma função da dublagem muito importante e que muitas vezes passou despercebido pra mim!!! E olha que nossa infância teve esse momento “dramático” de ver um filme legendado sem nem saber ler ainda 😂😂😂😂😂 Ainda bem que resolveram dublar os desenhos e filmes pois muitos estão marcados em minha memória graças as suas falas e canções da versão brasileira !!❤️❤️❤️❤️

Letícia Meirinho
Letícia Meirinho
6 meses atrás

Esse texto fala de uma união perfeita, tanto quanto a amizade do Herbert com o Walt (já que você citou uma coluna anterior, aproveitei para citar outra, vai que temos fãs de ler comentários por aqui xD)

Pensar em dublagem e em como ela torna o produto audiovisual tão mais acessível e não falar justamente sobre a questão da acessibilidade que ela oferece é impossível, felizmente ela oferece acesso a tantas grupos e para felicidade dos grupos não contemplados por ela hoje temos opções de produtos audiovisuais com audiodescrição, por exemplo, o que aumenta a quantidade de grupos com acesso aos produtos, e cada vez mais torna o acesso realmente universal (por mais que ele ainda precise apresentar particularidades para atender a todos).

Adorei o seu relato, e passei por uma situação semelhante a de vocês quando mais nova, o meu algoz foi o filme Matrix (1999), por alguma razão mesmo a versão em DVD do filme contava apenas com o áudio em inglês e a versão legendada (pelo menos a bendita versão presente nesse trauma), em uma festinha de aniversário de amigos do colégio lá por volta de 2003 ou 2004, esse bendito filme foi o escolhido para vermos… Na época meus amiguinhos já estavam habituados a legendagem (como já narrei em comentário na outra coluna só me rendi a essa versão posteriormente) ou já eram bilíngues em inglês, eu por outro lado era em espanhol,,, Então fomos ver o filme legendado, já que não tinha pra onde correr,,. Como ler rápido e ver o filme são habilidades que se desenvolve com a prática, e eu não tinha prática, se não me engano essa foi uma das minhas primeiras experiências com a legendagem, advinhas o que rolou?! Eu não consegui entender quase nada, e detestei o filme… Afinal como poderia gostar de algo que não entendi quase nada?! Depois do filme fomos conversar sobre, e bem, foi um desastre, tu me conheces e sabes como sou capaz de cometer sincericídio, e quanto mais nova era, mais a língua era maior que a boca… Resultado eu fiquei como a “burra/preguiçosa” do grupo. E por anos detestei esse filme de todas as formas possíveis, Levei sem brincadeira nenhuma, uma DÉCADA, para aceitar ver o filme, que por algum motivo o DVD também só tinha na versão legendada, mas dessa vez eu já estava craque na legendagem haha E aí vendo e entendendo gostei do filme, e no fim vi a trilogia completa rs.

Agora falando sobre a importância da versão dublada, meu avô é português nascido na fronteira com a Espanha, a vida dele enquanto esteve do outro lado do Atlântico se passou toda na Espanha, logo o idioma materno dele acabou sendo o espanhol. Se o português de Portugal já apresenta variações para o nosso, e quando falado por um nativo (que parece narrar uma corrida de tão rápido que fala) já gera dificuldade para os ouvidos menos treinados, imagine agora o meu avô desembarcando no Brasil em 1952, falando mais espanhol que português, e falando rápido, Pois é, ele conta para nós que por vezes ninguém entendia o que ele falava, e que várias vezes ele perdeu corridas (na época ele trabalhava como taxista no ponto em frente ao Palácio do Catete – e sim, ele teve o prazer de conhecer o Vargas). Na tentativa de aprender o português meu vô passou ouvir muito rádio – que era a joia da coroa da comunicação da época, e com o tempo passou a também assistir a televisão… De tanto ouvir o português ele aprendeu a fala-lo também, afinal para aprender um idioma e se tornar fluente é fundamental também ouvi-lo. Todavia, mesmo com quase 95 anos hoje, ele ainda fala como se corresse contra o tempo (e volte e meia eu peço para ele “falar pausadamente”) rs E apesar de saber o português ele conservou o seu sotaque de portunhol em respeito a nacionalidade de seus pais e sua história. E um dos motivos de eu ter aprendido espanhol tão cedo na minha vida foi para poder conversar com ele na sua, quase, língua “nativa” =)

Aah, eu ainda não tenho filhos, nem bebês tão perto a mim, mas amei quando descobri há alguns anos as sessões de cinema voltadas para mamães com bebês pequenos, afinal deve ser libertador para elas poderem retornar ao cinema e ter a companhia de seus pequeninos, afinal por mais que tenhamos DVD’s e versões de streaming nada se compara a magia do cinema – falando nisso saudades de poder ir a um e comer aquela pipoquinha sabor manteiga, com aquele gostinho e cheirinho inigualáveis!

Por fim obrigada por trazer a tona um assunto tão importante e atual como a acessibilidade, e ajudar a todos a compreenderem a sua importância.

Desculpa se o meu comentário tá enorme e a demora, mas como eu tinha tanto a falar preferir fazê-lo pelo pc do que pelo celular xD

Beijão e até a próxima semana!

Luana Flor
Luana Flor
6 meses atrás

Nossa incrível, dublagem é cultura é acessibilidade. Acho muito importante trazer um assunto como esse à tona,gostem ou não, é importante demais oferecer o conteúdo tanto dublado quanto legendado,para que todos possam usufruir da arte!

Amanda
Amanda
6 meses atrás

Muito bonito o seu relato, Maisa! Realmente a dublagem é muito importante e infelizmente muitos não reconhecem isso!

Deyse
Deyse
5 meses atrás

Fiquei imaginando o que seria de nós sem a dublagem… Eu mesma, zero inglês e fico com a vista doendo ao tentar ler as letras miúdas dos filmes. Ainda bem que a dublagem está aí para a nossa maior acessibilidade os conteúdos estrangeiros!!! Estou amando a sua coluna!!!

Alexia Vitória
Alexia Vitória
1 mês atrás

Oi, Maisa. Meu TCC no curso de formação de atores é justamente sobre Dublagem e Acessibilidade. Inclusive, seu texto está em meu referencial teórico (devidamente citado e “ABNTamente” nas Referências Bibliográficas). Gratidão pelo texto!

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